
Ressurreição - A autoridade e o poder de quem reverteu a morte
Por Lucas Meloni
02/04/2026, às 09h05 | Conteúdo atualizado em 02/04/2026, às 09h06
Confesso que demorei a entender o valor fundamental da ressurreição de Jesus. Ouvi desde criança a respeito da sua morte, que é essencial para nos justificar e nos purificar do pecado. Minha conversão se deu ao ouvir sobre a volta de Jesus e a sua vitória definitiva sobre o mal. Mas a ressurreição ainda permanecia um tanto misteriosa – e talvez até sem valor – para mim.
Uma alegoria em especial me ajudou a entender esse fato essencial para a fé cristã. C.S. Lewis, no primeiro livro de As Crônicas de Nárnia, “O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa”, traça um paralelo entre a ressurreição de Aslan e a ressurreição de Jesus, descrevendo que é “a própria morte ‘começando’ a funcionar de trás para diante” como resultado de “uma vítima voluntária que não cometeu traição” ter sido “morta no lugar de um traidor”.
O Evangelho de Mateus mostra de maneira bem clara o poder dessa “reversão”. Após a condenação e execução de Jesus “por inveja”, de maneira humilhante e injusta, sobraram apenas alguns seguidores que o acompanharam até o fim, quando José de Arimateia providenciou um túmulo para ele. Duas mulheres, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e José, foram visitar Jesus após o sábado de descanso, e se depararam com uma cena incrível: com um grande terremoto um anjo desceu do céu, rolou a pedra do túmulo, e deixou os guardas com tanto medo, que eles ficaram como mortos. Deus não permite que a injustiça prevaleça. Quando os homens agem de maneira incorreta e cruel, ele mesmo providencia – e providenciará – que a sua vontade, e aquilo que é certo, prevaleçam.
A ressurreição de Jesus, por fazer justiça ao seu ministério, também gera reações diferentes. Para quem o segue e crê nele, traz alegria. Foi o que aconteceu com as mulheres, que apesar de assustadas com aquele acontecimento incrível, estavam cheias de alegria e foram correndo contar a novidade para os discípulos. Já nos líderes do povo, que haviam condenado Jesus, isso gerou um misto de medo e indignação. Eles estavam apavorados com o fato de que suas ações para conter o seu rival haviam sido em vão, por isso arquitetaram um plano para evitar que essa notícia se espalhasse, envolvendo suborno e mentira. Para quem crê em Jesus, sua ressurreição é motivo de celebração e vitória, mas para quem não crê, é uma ameaça.
Por fim, a ressurreição de Jesus é o que confere, a ele e a todos os seus seguidores, autoridade. Antes de dar aos discípulos a missão de levar o Evangelho a todos, Jesus diz que “toda a autoridade no céu e na terra me foi dada”. É a ressurreição que confere poder e legitima as ações dos discípulos de Jesus. Se ele não ressuscitou, nossa fé é vazia, sem sentido. É por causa da sua ressurreição que Jesus é especial. É essa “reversão” da morte que faz da mensagem do Evangelho poderosa para transformar o mundo e trazer vida e liberdade. Vamos celebrar juntos a vida e vitória de Jesus. Feliz ressurreição de Jesus!
1.(Lewis, 2023) p.157 e 158.
2. Mateus 27.18.
3. Mateus 27.55-61.
4. Mateus 28.1-4.
5. Mateus 28.8.
6. Mateus 27.62-65 e 28.11-15.
7. Mateus 28.18.


